Gala Anna Pavlova em Londres

Foto via Mothic Flights

Por Juliana Araújo

Sempre que eu assisto a um ballet do repertório clássico, eu me encanto. O cenário,  música, figurino, pantomima, a sincronicidade do corpo de baile, a encarnação do personagem … Enfim! Eu adoro tudo. No entanto, não menos me encanta uma gala de ballet. A beleza das galas está no gosto da novidade, da surpresa, na dicotomia entre o clássico e o moderno. A surpresa da música, do figurino e principalmente a oportunidade de ver novos trabalhos sem a composição cênica. Apenas o essencial. Nas galas, há tantas outras coisas para se notar.  É quando podemos ver as qualidades da bailarina, seu treinamento e sua técnica. Apenas ela e seu parceiro no centro do palco, nada mais existe.

O grupo Ensemble Productions tornou-se famoso aqui em Londres por organizar eventos de alta qualidade. Na série “Russian Ballet Icons “, bailarinos de primeira linha são escolhidos para para homenagear uma personalidade a cada ano. A gala do ano passado, em homenagem à  Galina Ulanova, dirigida pelo grande  Vladimir Vasiliev, foi simplesmente espetacular. Lembro-me da alegria que senti ao ver a variação de Diana e Acteon executada com perfeição por Thiago Soares  e Dorothée Gilbert. Também encantadora foi a apresentação de Le Parc executada por  Vladimir Malakhov e Nadja Saidakova . E para coroar o evento, Svetlana Zakharova e Ulyana Lopatkina  apresentaram a Morte do Cisne e Eurídice, respectivamente. A gala deste ano foi realizada em homenagem à Anna Pavlova. O evento, dirigido por Wayne Eagling, foi organizado para comemorar o centenário de sua mudança para a Ivy House, sua antiga residência localizada em Golders Green, no norte de Londres. Eu esperei o inteiro para estar lá e não pude escolher a minha variação favorita porque tudo foi maravilhoso. 

A noite começou com extratos de filmes antigos de Pavlova no palco e em sua casa, em Londres. Como esperado, não havia cenários para ilustrar as variações. No entanto, ao invés do palco azulado, havia painéis coloridos com imagens de vintage da bailarina que davam um caráter único a cada apresentação.

A primeira apresentação da noite foi a variação do Le Corsaire, executada por Anastasia Stashkevich   e   Lopatin Viacheslav. Os figurinos coloridos deram um toque especial à variação. Logo a seguir, tivemos o adágio de Giselle dançado por Alina Somova. Em vez do cenário sobrio do segundo ato do ballet, tivemos um palco iluminado onde pudemos ver cada detalhe da apresentação. Como sempre, os pas de deux de Romeu e Julieta e Manon de John Cankro e MacMillan foram de tirar o fôlego, os quais foram brilhantemente executados por Iana Salenko  e  Walter Marian  e Daria Klimentová  e  Vadim Muntagirov  respectivamente. No entanto, a grande surpresa para mim, foram as variações contemporâneas e Compassione e Life is a dream apresentadas por Giuseppe Picone  e  Tamara Rojo respectivamente. Bastante simples, não havia nada no palco além da presença dos bailarinos e da música que invadia o ambiente. No entanto, na minha opinião, a coreografia Rojo teria sido mais valorizada por platéias menores, pois a bailarina dançou na frente a um aquário, o qual era difícil de se ver da última fileira do teatro.

Raramente apresentada no Ocidente, uma outra surpresa interessante foi Russkaya apresentada por Ulyana Lopatkina. Esta peça foge do estilo clássico que conhecemos e não requer grandes extensões de perna. No entanto, esta foi uma oportunidade de mostrar um pouco do folclore russo ao público britânico.

Um dos destaques da noite foi a apresentação de Alina Cojocaru  e  Riabko Alexandre, em a Dama das Camélias. Alina demonstrou que é capaz de transformar qualquer papel que lhe seja oferecido em uma experiência única, porque a sua delicadeza não ofuscou a maturidade que Marguerite exige.

Como no ano passado,  Svetlana Zakharova  provou que tudo pode. Desta vez, ela apresentou a peça espanhola Cor Perdut com Andrey Merkuriev. As cores terra dos figurinos misturavam-se à iluminação do palco, e revelavam ainda mais o dinamismo e expressividade dos bailarinos.

Depois do intervalo, Tamara Rojo retornou ao palco para fazer a variação de Raymonda juntamente com Sergei Polunin. Com muita garra e energia, eles deram ao público uma apresentação impecável, forte e alegre. Esta apresentação foi inigualável. A variação de Nikiya com Evgenia Obraztsova  também foi impressionou bastante – aliás, uma das minhas preferidas – e foi também uma doce surpresa, porque geralmente a variação de Ganzatti é mais popular em galas. Portanto, esta foi uma boa escolha feita pela produção do evento.

O programa seguiu com a apresentação de “O Lago dos Cisnes “Ato Branco” com  Myriam Ould Braham  e  Allessio Carbone. Apesar perfeita e linda, na minha opinião, a apresentação foi muito discreta em relação ao programa eletrizante apresentado durante a noite.

Lucia Lacarra  e  Marlon Dino  foram surpreendentes e trouxeram muita alegria ao show com La Prisionère. Lacarra era estava tão encantadora e maravilhosa com suas extensões impressionantes; e os movimentos sofisticados de  Irina Dvorovenko  em Splendit Isolation 3  revelaram que somente alguém como ela consegue fazê-los. No entanto, foi a ternura de Lopatkina  em Pavlova e Cecchetti que realmente tocou meu coração. A peça relativamente curta, com cerca de 7 minutos de duração, simboliza o aprendizado de Pavlova com Cecchetti. Muitas vezes, conhecida como A Lição, a variação começa com uma aula de ballet tradicional na barra, e depois ao centro, ela se deixa conduzir pelo mestre. Também não muito comum em  galas, este foi um belo presente para nós.

No final do espetáculo, a orquestra tocou Le Cygne (A Morte do Cisne). Mas em vez de uma bailarina executando um solo, hovia apenas um feixe de luz em movimento no palco, o que significava que aquela lugar não pertencia a mais ninguém, a não ser a Anna Pavlova.

Foto via Ria Novosti

  • Dez coisas que você deve saber sobre Anna Pavlova:

1. Anna Pavlova foi a primeria bailarina primeiro a viajar pelo mundo com sua dança.

2. Seu interesse no ballet começou quando sua mãe a levou para ver a Bela Adormecida de Marius Petipa.

3. Sua  primeira aparição oficial foi no Conto de Fadas de Marius Petipa.

4. Anna Pavolova foi aluna de Enrico Cecchetti.

5. Ela fez sua estréia oficial no Teatro Mariinsky com O Falso Dryad.

6. Petipa ensinou-lhe o papel de Paquita e muitos outros.

7. Michel Fokine criou o solo A Morte do Cisne para Pavlova.

8. Em meados do século XX, Pavlova fundou sua própria companhia viajou ao redor do mundo com um repertório com obras essencialmente de Petipa.

9, Pavlova se mudou para Londres em 1912,  para a Ivy House localizada em Golders Green, norte de Londres, onde viveu até o fim de sua vida.

10. Na noite de sua morte,  em São Petersburgo, os violinos da orquestra tocaram música de  A Morte do Cisne  na frente a um palco vazio, iluminado apenas por um holofote. ”

Fonte  Wikipedia

  • Programa do Espetáculo de 04 de março de 2012 no London Coliseum (English National Opera)

O Corsário

Bailarinos : Anastasia Stashkevich  e   Viacheslav Lopatin

Música : Adolphe Adam  (1803-1856) / Riccardo Drigo  (1846-1930 / Leon Minkus  (1926-1917)

Coreografia : Marius Petipa  (1818-1910) / José Mazilier  (1797 – 1868)

Compassione

Bailarino :  Giuseppe Picone

Música : Wolfgang Amadeus Mozart  (1756-1791)

Coreografia : Michele Merola  (nee. 1971)

Giselle

Bailarinos : Alina Somova  e  David Makhateli

Música :   Adolphe Adam (1803-1856)

Coreografia : Marius Petipa  (1818-1910) / Jean Coralli  (1779 – 1854) /Jules Perrot  (1810 – 1892)

Russkaya

Bailarina :  Ulyana Lopatkina

Música : Piotr Tchaikovsky  (1840 – 1893)

Coreografia:  Kasian Goleizovsky  (1892 – 1970)

Romeu e Julieta

Bailarinos : Iana Salenko e  Marian Walter

Música : Sergei Prolofiev  (1891 – 1953)

Coreografia:  John Cankro (1927 – 1973)

Life is a Dream

Bailarina :  Tamara Rojo

Música : Wu Na (n. 1979)

Coreografia : Bo Fei (n. 1971)

La Dame aus Camélias

Bailarinos : Alina Cojocaru  e  Alexandre Riabko

Música:  Frederic Chopin  (1810 – 1949)

Coreografia : John Neumeier  (nascido em 1942)

Cor Perdut

Bailarinos : Svetlana Zakharova  e  Andrey Merkuriev

Música : Maria del Mar Bonet (nascido em 1947)

Coreografia : Nacho Duato  (nascido em 1957)

Pas de Deux de Raymonda

Bailarinos : Tamara Rojo  e  Sergei Polunin

Música , Alexander Glazunov  (1865 – 1936)

Coreografia : Loipa Araujo (nascido em 1943) / Marius Petipa   (1818-1910)

Manon

Bailarinos : Daria Klimentová  e  Vadim Muntagirov

Música : Jules Massenet  (1842 – 1912)

Coreografia : Sir Kenneth Macmillan (1919-1992)

Splendid Isolation 3

Bailarinos : Irina Dvorovenko e Maxim Beloserkovsky

Música : Gustav Mahler  (1860 – 1911)

Coreografia : Jessica Lang  (nascido em 1975)

La Bayadère

Bailarina :  Evgenia Obraztsova

Música : Ludwig Minkus  (1816-1917)

Coreografia : Marius Petipa  (1818 – 1910)

O Pas de Deux do Cisne Banco

Bailarinos : Myriam Ould Braham- e  Allessio Carbono

Música : Piotr Tchaikovsky  (1840 – 1873)

Coreografia : Lev Ivanov  (1834-1901 / Rudolf Nureyev   (1938 – 1993)

La Prisionère

Bailarinos : Lucia Lacarra e  Marlon Dino

Música : Cesar Franck  (1822 – 1890) / Camille Saint-Saens  (1835-19210)

Coreografia : Roland Petit  (1924 – 2011)

Pavlova e Cecchetti

Bailarinos : Ulyana Lopatkina  e  Marat Shemiunov

Música : Piotr Tchaikovsky (1840 – 1873)

Coreografia : John Neumeier (nascido em 1942)

Diretor Artístico:  Wayne Eagling

A Orquestra:  –  English National Ballet Orchestra

Maestro:  Valery Ovsyanikov

Advertisements

Leave a Reply - Deixe uma Resposta - Laissez une Réponse

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s