Algo essencialmente inglês

“Existe na minha imaginação uma vida no campo, em eterno fim de primavera,  um pasto verde eternamente ensolarado e o zumbido de abelhas. A quietude estática de uma paisagem de Constable de minha Suffolk amada, luminosa e calma” – Sir Frederick Ashton

Roberta Marquez e Steven MacRae via Bryn Mawr Film Institute

Por Juliana Araújo

Nesta primavera, a Royal Opera House incluiu em sua programação o inesquecível La Fille Mal Gardée. Ao mesmo tempo, a Opus Arte exibiu nas salas de cinema de Londres no dia 16 de maio a gravação ao vivo da apresentação de Roberta Marquez e Steven MacRae.

Apesar de Dauberval ter produzido a sua primeira versão em 1791, Sir Frederick Ashton recriou o ballet em 1960. Embora o título seja em francês, a obra é uma homenagem feita à cultura inglesa. Entre galinhas e colheitas de trigo, a história de amor de Lise e Colas se passa na bucólica Suffolk rural; e o cenário pintado a mão nos faz lembrar ilustrações de livros de contos infantis.

O charme adicional deste ballet fica por conta das tentativas sem sucesso da rígida Simone (mãe de Lise) de separar o casal e do desastrado Alain que é literalmente varrido do chão durante o temporal que cai sobre os dançarinos de pau de fita no final do primeiro ato.

Leve e divertido, o ballet é uma declaração de amor de Ashton à Inglaterra. Através do uso constante de fitas de cetim, Ashton tem a oportunidade de mostrar seu lado romântico ao público. E aqueles que conhecem bem a Inglaterra, conseguem identificar com clareza elementos essenciais de seu folclore.

Bastante popular em Lancashire, a dança dos tamancos tem sua origem durante a revolução industrial. As operarem a maquinaria, os trabalhadores batiam as solas de seus sapatos no chão ao ritmo das máquinas. E durante os intervalos realizavam competições, onde os juízes avaliavam o ritmo e a técnica dos praticantes.

A dança do pau de fita faz parte da  tradição folclórica européia desde o século XVIII. Dançarinos fazem um círculo em volta de um mastro decorado com flores, bandeiras, e fitas. Em geral, as apresentações ocorrem na primavera durante o festival de May Day. A medida em que a dança se desenvolve, cria-se uma teia com as fitas ao redor do mastro.

Influências da morris dance são também evidentes no segundo ato, quando os camponeses entram na casa de Simone e realizam uma coreografia com o uso de lenços e bastões. Antes da guerra civil inglesa, os súditos já dançavam a morris dance. Em 1600, William Kempe apresentou a dança de Londres a Norwich pelo evento Nine Days Wonder.

Outros elementos da cultura popular que aparecem nesse ballet, são a dança das garrafas e o pas de deux com a fita de cetim rosa no primeiro ato que culmina em uma linda cama de gatos que sempre arrancam aplausos da platéia.

Para quem não conhece, o ballet é simplesmente delicioso de se assistir. A história de amor selada pelas fitas de cetim, tem um final feliz e te fazem sair o teatro com uma sensação de leveza e alegria e de querer voltar.

NOTE: This post consists of thoughts and impressions on La Fille Mal Gardée after attending the Royal Ballet’s performance at the Royal Opera House on the 2nd May 2012.

 

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