A Sílfide de Johan Kobborg

“…  La Sylphide coreografado por August Bournoville é um dos ballets mais famosos da era romântica. A produção de Johan Kobborg está mergulhada nas maiores tradições  e treinamento do estilo Bournonville das quais ele próprio é um expoente e especialista.” – Monica Mason

Marie Taglioni, La Sylphide, Alfred Edward Chalon (RA), Richard James Lane (A.R.A). lithograph, coloured by hand – Victoria and Albert Museum, London

Por Juliana Araújo

O  Royal Ballet de Londres Inglaterra incluiu mais uma jóia em seu repertório nesta temporada: La Sylphide. Como parte integrante da double bill de Maio/Junho, o ballet foi apresentado juntamente com o  Ballo della Regina de George Balanchine, com Alina Cojocaru e Steven McRae na noite de abertura.

O espetáculo, que foi originalmente coreografado por Filippo Taglioni, pai de  Marie Taglioni, teve a sua estreia na Ópera de Paris em 1832. No entanto, em 1836, August Bournoville recriou o ballet para o Danish Royal Ballet, incluindo alterações como ênfase no trabalho de pés e seqüências ininterruptas de allegro — braços em bras bas deixando as pernas fazerem todo o trabalho — que se tornaram a marca registrada do ballet dinamarquês.

Como importar as partituras da música original era muito caro, Bournoville encomendou nova música ao músico dinamarquês  Herman Løvenskiold que incluiu melodias celtas originais, e elementos da reel dance.

Alina Cojocaru via the Telegraph

Passado em um vilarejo imaginário das Highlands da Escócia, o ballet conta a história de amor entre James, Effie  e a misteriosa sílfide. O figurino elaborado para a produção dinamarquesa também refletia os elementos típicos da cultura escocesa. Feitos em tartan original de cores diferentes, os kilts dos bailarinos eram como os trajes dos escoceses, com acessórios originais tais como o sporran, o alfinete de kilt, tam o’ shanter  e os botões  enviesados das jaquetas acinturadas do corpo de baile. Neste ballet, o trabalho de pontas limita-se às sílfides,  cujos saltos e bourrées dão um toque sobrenatural a seus personagens.

La Sylphide é uma das obras-primas remanescentes do estilo romântico  do século XIX, que retratavam príncipes heróicos, em relação à bailarina frágil e delicada. Apesar de o La Sylphide ser curto, ele contém todos os elementos típicos da era romântica, como tutus românticos, port de bras suaves incluindo histórias de amores impossíveis entre seres mortais e espirituais como Giselle.

Steven McRae (James) and artists of The Royal Ballet in La Sylphide – Photo: © Alice Pennefather via the Ballet Bag

Desde 1836, as companhias de ballet têm mantido a tradição de Bournonville. No entanto, em 2005, a produção foi revista pelo dinamarquês Johan Kobborg, primeiro bailarino do Royal Ballet, graduado na Dinamarca pelo método Bournonville. Tendo examinado a obra, Kobborg fez o possível para manter as características originais da peça. No entanto, ele quis acrescentar algumas partes da partitura musical que haviam sido retiradas da produção dinamarquesa. Outras alterações incluem a adição da seqüência mímica onde James relata o seu encontro com a sílfide ao seu amigo Gurn, e um breve pas de deux entre James e a sílfide no segundo ato. Segundo o bailarino, a inclusão dessas peças na produção do Royal Ballet foi importante para dar mais fluidez e coerência entre uma cena e outra.

Kristen McNally as Madge with artists of The Royal Ballet – Photo: © Alice Pennefather via the Ballet Bag

Nesta temporada, Kobborg fez sua estréia no papel de James com sua noiva Alina Cojocaru como a sílfide. Delicada, mas com uma presença de palco impressionante, Alina fez justiça ao papel da etérea Taglioni imortalizada nas pinturas e litografias do século XIX. A química entre Kobborg e Cojocacu é claramente visível, e a conexão emocional entre os dois é bastante perceptível nos momentos de perturbação de James durante as aparições da sílfide.

Figura central na trama é Madge, uma velha senhora que aparece na festa de casamento de James e Effie para se aquecer junto à chaminé da casa. Expulsa por James da casa, ela jura vingança. Não apenas ela convence Effie se casar com Gurn, como também envenena o xale usado por James para atrair a sylph que morre ao ser beijada e tocada por ele. Madge já havia sido antes intepretada bailarinos. Mas desta vez, Kobborg decidiu escolher uma mulher para fazer este papel. Tecnicamente impecável, Kristen McNally mostrou sua capacidade de atuação. No entanto, seu ar suave e juvenil ofuscou a personalidade maquiavélica do personagem.

Bournonville’s La Sylphide: Sorella Englund as Madge with members of the Royal Ballet. Photo Johan Persson ©ROH/Johan Persson 2005 via Ballet Association

José Martin, na pele do Gurn, nos proporcionou momentos deliciosos e divertidos na busca de James que foge com a sílfide  da festa de seu casamento. Na tentativa de descrever a figura da sílfide  para os convidados da festa, o bailarino arrancou gargalhadas da platéia.

Apesar de muitos escritores dizerem que nos ballets do século XIX, a figura central eram as mulheres, em La Sylphide, James tem um papel fundamental na história. Nesta produção, Kobborg demonstra clareza nas cenas de mímica, além mostrar leveza e precisão nos passos de allegro.

A integração do corpo de baile com o cenário é magnífica. Em vários momentos, as poses estáticas e delicadas das bailarinas se misturam à paisagem bucólica dos ballets do século XIX, que nos lembra a  pintura romântica em óleo sobre tela daquele período.

No final do espetáculo, Alina em um gesto carinhoso e delicado, oferece três rosas de seu buquê ao maestro Daniel Capps, Kobborg e Martin, e com um sorriso sincero e espontâneo, a bailarina cativou a todos, mostrando a satisfação de ter concluído um trabalho bem feito.

A crítica britânica revenciou e reconheceu o trabalho da Kobborg que merece todos os louvores e elogios, porque sua produção é simplesmente impecável. Isso mostra que o bailarino ainda tem muito a oferecer ao público britânico.

Evgenia Obraztsova ensaiando e se apresentando em La Sylphide abaixo:

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