Ballo della Regina

“Ballo” é um ballet clássico muito em alta velocidade. Passos virtuosos o mais rápido possível, é um ballet muito alegre, feliz edificante.  A música é tão cheia de energia, te dá oxigênio. É um exemplo maravilhoso  de Balanchine sendo mais neoclássico e expandindo seu vocabulário de dança.”  – Merrill Ashley

Foto: Merrill Ashley by Martha Swope 
photo via Nurturing First

Por Juliana Araújo

Como parte da double bill de de Maio/Junho, Ballo della Regina foi apresentado nesta temporada, juntamente com La Sylphide pelo Royal Ballet de Londres.

No dia 12 de junho último, os bailarinos fizeram um show impecável. A peça é uma obra-prima, e nos mostrou a técnica de Balanchine traduzida no ritmo rápido, destaque no uso da parte superior do corpo e arabesques voltados para o público. Com extensões de tirar o fôlego, os bailarinos realizaram seus paços com uma  velocidade impressionante, como se seus pés  fossem lâminas a cortar o chão.

Foto:  Nehemiah Kish the Royal Opera House

Ao invés de sílfides e willies, os bailarinos de Balanchine são atléticos e têm muita personalidade. Como seus movimentos são marcados pelo dinamismo e precisão, seu método envolve bastante flexibilidade e força muscular. Então o trabalho é particularmente difícil para o bailarino, seja qual for o seu nível técnico. 

A música de Verdi foi uma novidade para aqueles que esperavam Tchaikovisky e Stravinsky. No entanto, a música transformou o espetáculo em uma experiência dinâmica dançante. Sem a estrutura cênica de Petipa e das tradicionais cenas de mímica do ballet d’action, o trabalho de Balanchine é para ser apreciado de longe, porque a formação de linhas assimétricas no palco davam harmonia ao conjunto. Músico erudito, Balanchine achava os passos de dança deveriam refletir a música propriamente dita. Portanto, todos os elementos que poderiam tirar o foco do movimento humano e do contexto musical deveriam ser retirados. 

Foto: Marianela Nunez e Nehemiah Kish via Ones to Parts

Com o Ballo della Regina não poderia ser diferente. Segundo a Merrill Ashley, para quem o ballet foi criado em 1978, a música está lá para ser dançada e o desafio dos bailarinos está em executar seus passos com uma velocidade maior do que a dos ballets tradicionais.

Como era de se esperar, Yuhui Choé e  Marianela Núñez foram brilhantes em seus movimentos e a presença de palco ressaltava ainda a natureza efervescente do ballet. Elas dançam tão livremente e com tanta confiança que sem dúvidas elas podem facilmente  conduzir o show. Estrelas de palco palpitantes, eu diria. Os adágios de Marianela e de Nehemiah Kish foram realmente  impecáveis. Entretanto, apesar da bravura e técnica, eu acho que um bailarino com um porte mais leve e longelíneo  teria sido mais apropriado para o papel.

Enquanto assistia ao Ballo, tive a sensação de estar diante de um enorme aquário borbulhante. Ao mesmo tempo, os figurinos em tons pastéis em contraste com o palco azulado que nos lembrava o mar de Don Carlos, deu uma sensação duradoura de frescor e alegria.

Ao juntar o  estilo néo-clássico dos anos 70 com um balé romântico do século XIX, pareceu que o Royal Ballet quis dar ao público a oportunidade de apreciar obras de estilos diferentes. No entanto, ao colocar essas peças juntas em um único espetáculo, ficou difícil para os novatos entenderem e assimilarem as nuances das obras no contexto no qual elas foram criadas.

Apesar de excelente, a peça de Balanchine foi ofuscada por La Sylphide, que contém recursos visuais e cênicos mais capazes de envolver o público de uma forma mais intensa. Portanto, ela não fez justiça ao trabalho do mestre russo, cujo ballets estão aí para revelarem a técnica clássica através do movimento corporal em si.

Veja abaixo a abordagem de Marrill Arshley sobre Balllo della Regina e suas impressões em relação a trabalhar com Balanchine:

Ballo della Regina é um ballet muito alegre, livre. É uma espécie de champanhe, bolhas. A música é muito animada. É um ballet virtuoso e é realmente um das melhores peças de abertura que eu conheço. Ele simplesmente te coloca de bom humor, ao assisti-la.

Uma das características do ballet é que cada passo é praticamente realizado em um ritmo muito rápido. E é realmente incrível,  a platéia fica espantada em relação à rapidez desses pés técnicos. E acho que a velocidade e a alegria combinadas apenas deixam a platéia … eu não sei… é edificante. Você simplesmente sente que pode ficar um pouco mais alto e ter um pouco mais de energia.

A música para Ballo é a música de ballet da Ópera Don Carlos. Então, claramente, a música foi feita para ser dançada; e Balanchine gostava de da música Verdi. Ele disse que estudou muito Verdi que lhe ensinou a distinguir o corpo de baile dos solistas. Então eu acho que há uma conexão real aí. Eu também acho que os papéis principais tem funções de líderes, quero dizer… é simplesmente fantástico a velocidade com que eles têm que fazer, a gama de movimentos que eles têm que realizar. É realmente virtuoso.

Trabalhar com Balanchine foi simplesmente um dos maiore prazeres do mundo. Ele era simplesmente um cavalheiro no estúdio. Ele não tinha ares de superioridade. Você estava lá trabalhando de igual para igual com ele. Ele era muito atencioso. Os padrões eram muito altos, mas desde  você estivesse trabalhando duro e se esforçando para atingir o que ele pedia, ele era simplesmente uma maravilha. Sob o treinamento Balanchine, ele criava e insistia na gente, um certo tipo de clareza que na minha opinião diminuiu um pouco. Porque é preciso uma quantidade enorme de disciplina para se ter precisão. Normalmente, quando você está se movendo rapidamente, mesmo na vida você quer pegar um atalho..  você está com pressa para chegar ao escritório, você pega o atalho. No ballet você não pode pegar atalhos, você ainda tem a sua coreografia, quer fazer tudo tão precisamente, mas apenas mais rapidamente o que é realmente difícil de se fazer.”

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2 thoughts on “Ballo della Regina

  1. Eu adorei o blog e já estou seguindo, achei interessante as postagens serem escritas em 3 línguas, muito legal mesmo!

  2. Olá Mábia,

    Que bom que você gostou. Volte sempre que quiser. Na verdade eu sou do Rio, mas moro em Londres há 12 anos. Acredite, eu estava com dificuldades em escrever em qualquer língua. rsrsrs. Eu tenho que fazer assim, para facilitar a troca de informações. É um pouco trabalhoso, mas é a melhor maneira das informações sobre dança chegarem mais rapidamente.

    Obrigada pelos elogios. Beijo grande.

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